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AS AMORAS

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O meu país sabe a amoras bravas no verão. Ninguém ignora que não é grande, nem inteligente, nem elegante o meu país, mas tem esta voz doce de quem acorda cedo para cantar nas silvas. Raramente falei do meu país, talvez nem goste dele, mas quando um amigo me traz amoras bravas os seus muros parecem-me brancos, reparo que também no meu país o céu é azul. Eugénio de Andrade Centenário de nascimento

A BOCA

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A boca, onde o fogo de um verão muito antigo cintila, a boca espera (que pode uma boca esperar senão outra boca?) espera o ardor do vento para ser ave, e cantar. ❤️ ❤️ Levar-te à boca, beber a água mais funda do teu ser - se a luz é tanta, como se pode morrer? Eugénio de Andrade Centenário de nascimento 

MULHERES DE PRETO

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Há muito que são velhas, vestidas de preto até à alma. Contra o muro defendem-se do sol de pedra; ao lume furtam-se ao frio do mundo. Ainda têm nome? Ninguém pergunta, ninguém responde. A língua, pedra também. Eugénio de Andrade Centenário de nascimento