segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

A FORÇA DO VOLUNTARIADO

Nestes dias de LÁGRIMAS SEM FIM pelas perdas humanas que a chuva e o vento infelizmente vieram trazer, há uma luz que se acende e faz sentir que neste tempo de egoísmo e individualismo continua a haver bons e condoídos corações que vão em socorro de quem precisa.

Os milhares de pessoas jovens, adultos e até com bastante idade deixaram tudo e partiram de pá e vassoura na mão prontos para ajudar a limpar o que fosse possível dos estragos causados pela tempestade Kristin, em Leiria. Pode parecer pouca coisa, mas é muito e diz-me que a solidariedade e (esta causa que me é tão cara) o VOLUNTARIADO pode mobilizar pessoas e fazê-las sentir o quanto é importante dar a mão ao outro, seja por em horas, dias, meses ou anos. 

Não tem de se ser voluntário só em alturas de catástrofe - mas ainda bem que se é - e partir para as zonas afectadas como Leiria, Batalha, Marinha Grande, Pombal, Cernache do Bonjardim, Proença-a-Nova... e outras localidades que tanto necessitam de toda a ajuda que possa ser disponibilizada. 

Importa, porém, fazer o voluntariado devidamente integrado em esquipas e orientado por quem sabe. Ter toda a informação necessária sobre o que é preciso levar, fazer e, se for caso para dias, organizar a logística de transporte, alojamento, refeições... são passos importantes para que a missão decorra bem. 

Pode ser-se voluntário à distância, não só nestas situações, mas em tantas outras. Dar ou levar ajuda seja de que forma for é sinal de que a indiferença não ganha terreno e a esperança é um abraço estendido sobre os desesperados destes tempos.

Bem-hajam! ❤️

domingo, 1 de fevereiro de 2026

FEVEREIRO DE NOVO

Janeiro terminou, sem saudade, pois deixou entre nós um rasto de destruição, desolação, tristeza e perdas irreparáveis.

Começa Fevereiro, o mês mais pequeno do ano mas sem perspectivas animadoras no que se refere a dias mais soalheiros já que se anuncia chuva, vento e a neve.

É domingo e se o tempo fosse de feição era uma excelente oportunidade para subir â montanha, ir rezar à capelinha de Nossa Senhora do Ar, olhar a paisagem, meditar no princípio do Sermão da Montanha e talvez nos fosse dado escutar a voz do Mestre quando ensinava: «Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos Céus. Bem-aventurados os humildes, porque possuirão a terra. Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o reino dos Céus. Bem-aventurados sereis, quando, por minha causa, vos insultarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós. Alegrai-vos e exultai, porque é grande nos Céus a vossa recompensa».

Bom Domingo!

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

JANEIRO DE TODAS AS ÁGUAS, VENTOS E MÁGOAS

Janeiro de 2026, ao que parece, quer ficar na história pelos piores motivos ou seja: destruição, prejuízos e infelizmente também morte. Não ando pelas zonas atingidas, felizmente, mas as fotos que aqui coloco são de Leiria - tiradas num dia de muita chuva, mas não torrencial e sem vento - a bela cidade que tão afectada foi, está agora com o estado de calamidade pública decretado, mas acredito, que renascerá em breve com melhor planeamento e um futuro mais robusto e bonito pela frente. 
Se a intensa neve trouxe motivos para sorrir pela beleza da paisagem, pelo fluxo de viajantes que acorreram a ver o manto branco e são uma "mais-valia" para as zonas esquecidas do interior, a verdade é que os dias e semanas de intensa chuva e as tempestades que se têm sucedido arrasaram este pequeno cantinho de um lado ao outro.
É Inverno, dizemos! E, na verdade, já poucos se lembram dos invernos de outrora tão gelados de neve e gelo, intensos nevoeiros, húmidos, chuvosos, cheias sem fim e ventos bem agrestes que faziam bastantes estragos e levavam vidas que, ao tempo, não eram contabilizadas. Mas, é certo, não podemos esquecer que os fenómenos climáticos se sucedem.
É, pois, de lamentar que nas aldeias, vilas e cidades sejam implantadas inúmeras estruturas incapazes de para suportar ventos médios quanto mais ciclónicos! Esqueceu-se a robustez de antigos edifícios e veio a "onda" de envidraçados, espelhados com materiais que são tudo menos próprios para intemperes invernosas ou para verões de calor extremo! 
As Árvores nos jardins, alamedas e avenidas, muitas não são adequadas e outras são esquecidas de podas, limpeza e tratamentos em anos sucessivos. Continua a construir-se em leitos de rios e ribeiras, as estradas não têm valetas altas nem manilhas de escoamento de águas direccionadas para as ribeiras ou rios próximos e tantas outras coisas que não contribuem nada para ajudar a minimizar riscos principalmente de vida que é o bem mais precioso, num tempo de tanto conhecimento. 
Já sabemos que os elementos da natureza, quando em fúria, são impossíveis de dominar. O clima estará cada vez mais imprevisível e com piores consequências. Há situações como a de barragens cheias que por questões de segurança não podem deixar de descarregar água pelo que as cheias serão sempre inevitáveis, mas há muitas outras coisas que se podem prevenir para que bens e pessoas sejam devidamente acautelados. Bastar pensar, querer e fazer sabendo que mesmo com todos os cuidados nada é isento de risco e todos os cidadãos devem também ter consciência disso. 
Neste Janeiro de tantas mágoas deixo a minha nota de tristeza, pesar e oração por todos os que perderam os seus entes queridos nesta tragédia. Um dia talvez possa voltar a ajoelhar-me aqui na antiga, resistente e bonita Igreja do Espírito Santo e a todos terei no pensamento e no coração. 
Quem desejar ver mais fotos já aqui colocadas noutro ano desta bela cidade basta clicar na barra infra na designação Leiria.

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

SILÊNCIO, A GUITARRA CHORA...

Calem-se os rios, ribeiras e fontes
Deixem a guitarra trinar
Tangendo na solidão dos montes
O seu desgosto a chorar.

Toca guitarra o teu som vibrante
Não cales teus gemidos de dor
Em ti as mãos tocam de rompante
Abraçando-te em ternura e amor.

Incendeia-me, guitarra, a alma
Vem trazer-me ao peito a ilusão
Que só no teu chorar acalma
O fogo ardente desta paixão.

As mãos que tocavam jazem frias
Fica a guitarra em silêncio e desgosto
Guardando nela solidão de horas vazias
E tempo de saudade em nós imposto.

Fica do virtuoso tocador a chama,
A guitarra, companheira de eternidade,
Talvez um dia toque elegias de quem ama
Vibrando as cordas de novo em felicidade! 

Mariita
27 de Janeiro de 2026

A minha humilde homenagem ao grande guitarrista António Chainho que nos deixou neste dia em que celebrava 88 anos de vida. 🙏

DEPOIS DA TEMPESTADE

Uma nesga de calmaria até que raios, trovões, vento e chuva também tapem de novo o azul que ao longe aparecia.

Esta noite o temporal fez-me regressar ao medo dos invernos da minha meninice quando o vento zoava aterrador, eu tapava a cabeça com as pesadas cobertas de fitas, tremia de frio, medo e tentava não ouvir aquele zoado que só podia ser demoníaco. Depois, lá iam as lajes num badanal, o céu abria-se inclemente sobre nós e despejava toda a água que parecia lá ter ficado do guarda depois do grande dilúvio que cobriu a terra. 

Não havia telefone nem ninguém a quem pedir ajuda. Cada família tinha de se valer a si própria, mudar a cama e a mesa para outro canto, esperar que o vento e a chuva amainassem e houvesse condições mínimas de segurança para tentar remediar o que podia ser remediado e aqui entrava a solidariedade e ajuda de um povo que dava as mãos. 

Mesmo com carências e deficiência sejamos, nós tempos que corre, mais agradecidos por haver meios de comunicação e de socorro, mas demos também as mãos como outrora para ajudar, com orientação, façamos o que tiver de ser feito por nós e pelos outros. Acima de tudo mais acções e cuidados de cada para não agravar o que já está complicado. 

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

PARABÉNS, NO CÉU 🙏

Meu pai dizia uma "frase batida" que não é do Sérgio Godinho, mas podia ser: "os anos não são para contar, mas para viver" e também não era homem de querer bolinho de aniversário e muito menos apagar velas!
Por acaso Janeiro não era um mês muito propício a podermos estar com ele. Sei que ficava contente com o telefonema e via-se livre para fazer a festa à sua maneira.
Agora que no céu o tempo não conta, também eu aqui na terra não lhe quero desagradar e não conto quantos são apenas celebro, rezo e digo: Feliz Aniversário, PAI!

A NEVE, QUE VENHA!

A neve, por mais vezes que se veja, não cansa porque a paisagem branca que proporciona é um cenário de beleza única. Olhar pela janela e ver os farrapinhos a cair do céu como se fossem pequenas borboletas a esvoaçar é uma experiência adorável que felizmente já muitas vezes me aconteceu. 
Quando era pequena e vinham grandes nevões, para quem aqui vivia da agricultura e tinha os animais nos currais e longe da povoação, não se pode dizer que apreciasse a beleza da neve no seu todo, ainda que soubesse os benefícios que dela advinham. 
Para mim a neve era sinónimo de brincadeira a escorregar nela, a fazer bonecos, atirar bolas e a ficar gelada de roupa e calçado molhados e a tiritar de frio. Mas a cada nevão a sensação de querer agarrar a neve nas mãos como se fosse algodão gelado era sempre a mesma e muito boa. 
Não havia brinquedos, nem agasalhos para neve como hoje acontece, talvez até por isso as crianças dessem muito mais valor a estes "milagres" que a natureza trazia e permitiam dar largas à imaginação quer nas brincadeiras quer a observar para depois descrever já que era certo e sabido ter de ser feita uma redacção na escola.  
Cresci, durante muitos anos não vi neve e só dela me lembrava pelo Natal. A neve também se começou a esquecer de cair e os natais nevados passaram a ser raros sem ainda sabermos que o clima começava a sofrer malefícios um pouco por todo o lado derivados do pouco cuidado humano com a natureza. 
Um dia voltei! Pude ir algumas vezes ver o manto de neve que se estendia pela Serra da Estrela, logrei mesmo em algumas manhãs deparar-me com a serra em frente da janela já nevada, mas tive de esperar uns anitos para voltar a ver a beleza dos floquinhos a cobrir de branco as árvores, a serra e o chão.  
As primeiras imagens de neve que registei foram ainda com uma pequena máquina de rolo. Felizmente em 2009 já tive o privilégio de registar estas sem que tal adereço fosse necessário e, claro, foi um tal tirar de fotos de todas as formas e feitios. 
Nos últimos 40, 50 anos o Sobral deixou de ser bafejado com grandes nevões dentro do povoado e há anos que nem sequer chega à Serra da Estrela e muito menos à nossa. Mas nos anos que cai é sempre uma festa para os olhos e uma alegria para quem gosta de descontrair em cima daquele tapete branco e macio a brilhar. 
É assim que acontece! Uma mão cheia de neve e o mundo é outro! Viver a simplicidade das coisas genuínas sem precisar de brinquedos sofisticados para ser feliz é uma boa lição que os nossos mais novos deviam aprender. 
Há uma leve capa nos telhados, mas em alguns lugares a neve "colha" bem como por aqui se diz e ficar a olhar este momento, nestes recantos, é mágico e se a máquina fotográfica fosse "xpto" a imagem seria como eu gostaria de a apresentar. Talvez um dia ainda possa acontecer.
Porém, eu já me contentei naquela altura e em todas as outras, com o que foi - e é - possível registar e muito mais feliz fiquei por a neve me ter dado o prazer de aqui chegar.
As ruas vazias, diferentes do meu tempo de menina, na largura, no piso, mas também na falta de gente que infelizmente já nesta altura se fazia sentir eram a nota de tristeza e solidão neste cenário tão belo. 
Os pés que agora pisam o chão de neve já não são descalços como outrora e ainda bem. Felizmente para mim nunca precisei de andar descalça - quando o fazia era porque corria mais depressa sem sapatos - mas tive muitos colegas em que os sapatos eram miragem ou apertados porque muitas vezes já herdados de outros irmãos ou primos. 
Na escola passou a ser obrigatório ir calçado e nas famílias grandes não era tarefa fácil contornar a pobreza para calçar os filhos todos. Quando olho estas imagens da neve penso nos anos 60 e não posso deixar de me recordar como esses anos foram tão duros, tristes e pobres com carências de toda a ordem. 
Nos dias de hoje, por vezes, há a tentação de querer "dourar" dias e anos que foram tudo menos dourados. A miséria, a fome, o analfabetismo, as crianças a trabalhar horas indevidas, as meninas educadas no servir os pais, os irmãos, os maridos... a escola, para muitas uma miragem e os sonhos enterrados e sufocados em revolta e sem direitos a lágrimas. 
Que os povos não esqueçam o que viveram nem se deixem levar por palavras que são tudo menos o que parecem. Importa nunca esquecer esse bem inestimável que é a LIBERDADE e hoje é o seu DIA MUNDIAL ! 
Que a neve nos ajude a recordar e a limpar a alma de tantas arestas. Que a neve derreta para que os dias de primavera venham luminosos e nos deixem percorrer os caminhos de LIBERDADE que desejarmos sem amarras ou vontades de outros. 
Eis-me aqui a pensar num tempo tão longínquo, mas que não esqueço. O Sobral, felizmente, teve e continua a ter muito bons exemplos de mulheres que nunca se deixaram intimidar, partiram para lugares onde a neve era a dobrar, ou o calor de sufocar, mas pela sua força e coragem puderam singrar.  
A neve fria, quando vem a sério, não enfeitou só campos, ruas e telhados, os carros também têm direito à sua manta de Inverno que, no caso, foi preciso retirar com cuidado. 
Neste meu passeio, depois da neve praticamente deixar de cair, percorri uma pequena parte do Sobral e fique por aqui largos minutos a tocar na neve, a ver a paisagem a pensar nos tempos de antanho já referidos.
Quando voltamos aos caminhos velhos a saudade está presente, o coração agarra-se, por vezes, ao passado como se houvesse forma de lá voltar e conseguir mudar o que ainda nos entristece, mas isso não é possível e tudo quanto vivemos faz parte integrante de nós e molda-nos. 
A neve, esta ou qualquer outra, derrete, e nós devemos seguir em frente tirando lições do passado, construtivas, e que nunca deixem afogar os ideias do presente que pode não ser fácil, mas é inegavelmente muito melhor que há 50 anos. 
O dia declina, as ruas vazias, as chaminés já fumegam, as casas aquecem - hoje com um conforto térmico muito diferente do passado embora ainda não o seja na totalidade - tudo se aquieta e prepara para a noite. É Inverno, há neve e soube muito bem estar aqui, como saberia se fosse hoje! 
Fotos: Fevereiro de 2009

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

MANHÃS DE INVERNO

Se eu fosse letrada e conhecesse palavras "caras" que "caem" bem, talvez fosse capaz de descrever com erudição esta paisagem matinal de um dia frio de Janeiro nos caminhos da Beira - chamada interior - cheios de beleza única registada pelas fotos da Célia Cruz.
Por princípio meu são muito poucas as fotos de outros que partilho e nunca o faço sem a devida permissão. Estas encheram-me o coração, marejaram-se os olhos e fiquei extasiado perante esta beleza sublime da natureza que depois de todas as agressões sofridas se oferece límpida e serena, em raios de luz que confortam a alma, gotas de orvalho que alimentam a terra e fazem desta paisagem o melhor bálsamo para enfrentar o dia de trabalho, que não obstante todas as dificuldades de quem ali teima em viver.  
Se a serra arde, a vegetação autóctone é destruída, ás vezes substituída por espécies que nunca para ali deveriam ser levadas, outras vezes perfuram e desvirtuam a serra que adoece, e com ela adoece um país inteiro. Infelizmente os iluminados que sucessivamente nos governam não se dão conta dessa catástrofe.  Ainda anseio por alguém que venha e entenda que a serrania é um paraíso, precisa de ser olhada como tal, tratada e protegida como riqueza para todo um povo de perto ou longe que dela beneficia e contribui para a sua saúde física e mental. Haja esperança! 
Fotos de Célia Cruz

domingo, 11 de janeiro de 2026

A IMPORTÂNCIA DO BAPTISTÉRIO

Neste Domingo em que celebramos o Baptismo do Senhor é, como em todos os anos, ocasião propícia a lembrar o nosso próprio baptismo, a igreja onde se realizou, a data em que ocorreu, os nossos pais e padrinhos.
No meu caso já aqui publiquei várias vezes a igreja onde fui baptizada, o batistério, que hoje tanto quanto me parece já não é usado o que é pena. As crianças para baptizar são cada vez menos, mas existe agora outra pia junto do altar, uma ideia que algumas igrejas adoptaram. Pessoalmente continuo a gostar mais do lugar próprio: BAPTISTÉRIO. 
Assim, neste domingo rezo pelos meus pais e padrinhos, lembro e rezo de forma muito especial por meu ti Zé, que em 2024 foi sepultado no dia do Baptismo do Senhor. e de voz embargada cantei: "O Senhor abençoará o seu povo, o Senhor abençorá na paz." 
Este ano deixo imagens de várias igrejas por onde passei e cujos baptistérios são dignos de ser preservados, usados  e vistos.

sábado, 10 de janeiro de 2026

DEZEMBRO JÁ PASSOU

Permito-me, porém, falar ainda de Dezembro pelo impacto que sinto nos seus dias tão pequeninos, o que é pena, pois a luminosidade deste tempo quando a chuva se remete a outras paragens e a geada vem cobrir de branco a paisagem em frente da minha janela como nesta imagem de 2023 é divinal, com razão, já que nada é mais divino que o "Menino Jesus, tão belo, nascido pelo Natal em noite de caramelo"
Como é habitual os meus presépios saíram das caixas e tenho a sensação boa de no final das festas, quando voltar a guarda-os já serão mais! A bem da verdade até me apetecia arranjar um cantinho e deixar os presépios a fazer-me companhia o ano inteiro. 
O único presépio que este ano ficou guardado, certamente triste por causa disso, foi o da cabaninha e pequenas figurinhas de barro que minha mãe comprou há alguns anos e nos fez companhia nos natais sobralenses. 
A vida muda é preciso mudar com ela e percorrer outros caminhos em que não tínhamos pensado, mas se abrem de forma inesperada e boa. E se um dia acreditei que por mais alguns anos ainda podia dar ao nosso cantinho sobralense um cheirinho de Natal, fazia muito gostos nisso, mas mais gosto fiz ainda este Dezembro de estar com outros presépios humanos que me enchem o coração. 
Tenho a certeza que lá no céu minha MÃE não se importou de não ver a cabaninha e as pequenas figurinhas de barro, a vela acesa, as escadas enfeitadas e até o exterior da casa como em anos mais recentes começou a acontecer.
Em 2024 a raiz de onde vim terminou com a perda do tio Zé, quase meu pai, mas principalmente de minha muito querida MÃE. Este ano de 2025 senti-o mais difícil e angustiante que o ano anterior - em que tudo ainda parecia irreal - mas "acordar" para a realidade da perda e saber que já não me esperavam foi um embate profundamente doloroso.
O Menino Deus, porque é infinitamente bom, soube trazer-me a prenda mais inesperada e desejada, que me alegra os dias da velhice já instalada. O presépio de barro ficou na caixinha, é certo, mas nenhum presépio ornamental é mais importante ou suplanta o AMOR que tenho no coração onde CABEM TODOS! A FAMÍLIA de onde venho, a FAMÍLIA que construi, cresceu, continua a crescer e me enche a vida de tanto carinho e calor humano que só posso estar grata a Deus Nosso Senhor.
A quantos tiverem a paciência de me ler desejo que tenham tido um FELIZ NATAL e que o Ano de 2026 vos traga toda as BÊNÇÃOS.