QUE A MEMÓRIA NÃO SE PERCA

Neste tempo de tantos saberes, explanações e contradições em que quase todos comentam e sabem tudo, que ao menos hoje seja dado um passo unanime e de consolidação da democracia. É um regime imperfeito bem o sabemos, mas o único a dar-nos garantias de liberdade e só em liberdade se pode pensar, agir, ter formas de protestar, fazer ouvir a nossa voz e conseguir mudar alguma coisa.

Os que embarcam em cantigas de que o regime salazarista nem era assim tão mau têm muito fraca memória. Não leram, não ouviram, não viram, não sentiram e não sofreram. Querer três ditadores em vez de um é fazer pouco das mulheres, homens e crianças que tanto sofreram neste País e talvez valha a pena recordar.

Mais, avivar feridas não cicatrizadas da descolonização – cujos principais responsáveis foram os governantes do Estado Novo – que por “mania de grandeza” não olharam aos desastres ocorridos noutros territórios africanos e não souberam agir em benefício dos povos é “brincar” com o sofrimento alheio e atiçar fogo de ódio que queima as entranhas de gente incapaz de ver para lá do "quintal" que perdeu.  

Colocar por portugueses contra portugueses ao pôr em destaque de temas facturantes apresentando-os em linguagem impropria, gritaria e achando que a única razão é a sua, sinceramente, não é o melhor “postal” para uma presidência. Mas o meu gosto e opinião não é a de muitos e, com tal, respeito.

Porém, hoje, ainda tenho a liberdade de dizer que não me agradaria nada ver no Palácio de Belém um inquilino que promove o racismo e a xenofobia - já que somos um País construído sob a invasão de várias pátrias e centenas de milhares de compatriotas na diáspora – logo, preferia que um futuro presidente falasse em condições de acolhimento, integração e direitos sem que naturalmente as obrigações de quem chega não sejam esquecidas e, para esse efeito, pressionar o governo a fazer as devidas fiscalizações, que sabemos são poucas ou nenhumas... Querer atirar para os estrangeiros o ónus de tanta coisa que não é feita por quem devia é ignóbil sabendo que Portugal precisa dos emigrantes para conseguir funcionar em muitos sectores laborais. 

Acredito que o próximo Presidente da República será um homem sensato, que às vezes não diz nada porque prefere pensar ou não magoar, seja um homem também de pontes e consensos, atento ao País real que somos cheio de desigualdades com problemas pendentes há décadas, cada vez com mais incêndios, destruição e morte no interior mais esquecido, em que com tempestades e depressões que exige um planeamento mais rigoroso de todos os sectores para bem de aldeias, vilas e cidades de Portugal inteiro. Que não esqueça os direitos das crianças, dos mais velhos e de quantos trabalham. Que seja um homem acessível, simpático, mas sobretudo humano e sem muitos comentários na hora dos telejornais pois só assim a entendo e é dignificada a função do mais alto magistrado da Nação.

Desde já seja muito bem-vindo Senhor Presidente. 

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