QUANDO A REALIDADE FERE A ALMA
Quando uma realidade tão devastadora se abate sobre um território que amamos é como se uma lança nos ferisse a alma e coração. Lembrar os passos de minha avó, de meus pais, do ti Manel Forte, do ti Brás, outros que não conheci ou a minha memória infantil não reteve e ergueram os primeiros palheiros, as paredes do chães, presas, minas e levadas, rasgaram veredas que mais alargaram em caminhos e veio ainda, em boa hora, a estrada que tanta tinta fez correr e nos faz chegar aqui de carro. Apenas no Inverno a azáfama era mais branda, mas sem deixar de haver trabalho. Mal o tempo fosse propício, já na Primavera, tudo começava às primeiras horas da madrugada. Cada estação tem o seu ritmo e culturas próprias e ninguém como os antigos para o saber e respeitar a natureza. Conforme a época tudo à volta se vestia de cores diferente. Verdejavam as serranias com o centeio e os chães com leiras de nabiças, favas, ervilhas, couves, batatais, milheirais, alface, cebolas, alhos, cenouras, cherovias, be...