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PARABÉNS, PAI!

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Janeiro, o primeiro dos 12 meses que o ano compõe, tem ao dia 23 o aniversário de meu pai, que se fosse vivo este ano faria 98 Invernos e diria que não gostava de os fazer…  Bom mesmo, dizia ele, era se os desfizesse… e lá se punha a recitar um poema que disso falava, embora nem sempre lembrasse as quadras pela ordem certa.  Se tivesse chegado a esta idade tão avançada não sei se as quadras ainda lhe viriam à memória, mas lembro-as eu, com os PARABÉNS, PAI, e que lá no céu tenha sentido a nossa lembrança e oração.  DIA DE ANOS  Com que então caiu na asneira De fazer na quinta-feira Vinte e seis anos! Que tolo! Ainda se os desfizesse... Mas fazê-los não parece De quem tem muito miolo! Não sei quem foi que me disse Que fez a mesma tolice Aqui o ano passado... Agora o que vem, aposto, Como lhe tomou o gosto, Que faz o mesmo? Coitado! Não faça tal: porque os anos Que nos trazem? Desenganos Que fazem a gente velho: Faça outra coisa: que em suma Não fazer coisa nenhuma, T...

GRITO DO CORAÇÃO

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ORAÇÃO Em nome de TODOS OS NOMES que DEUS conhece. No silêncio e na oração, Homenagem a todos os nomes Que Deus conhece. Vidas com rosto e coração E nestes tempos de pandemia Num qualquer hospital, Na mais profunda solidão, Partem sem um abraço, Um afago, um beijo, Ou o calor reconfortante Do último aperto de mão. Olhos cerrados. Corpos amontoados; Sem tempo de ser preparados, Em negros sacos fechados, Nas frias urnas depositados, Para enterros apressados, Onde não cabem palavras Nem o adeus reconhecido A quem aos seus é tão querido. E no acto derradeiro  Em que o corpo desce à terra, Não pode haver compaixão Nem obra de misericórdia  De acompanhar o irmão. Como pode a nossa vida Seguir amanhã indiferente A tanta lágrima e dor Que se vive no presente? Que Deus no seu amor A todos acolha clemente E reconforte nesta angústia Os que perdem a sua gente. MM  Jan. 2021

SOBREIRO/SOBREIRA

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Velhinho e amigo sobreiro quanto carinho me deste nos dias da minha infância na encosta sul do Barreiro. Entre os teus e grandes braços muito alento eu encontrei, mas se por vezes chorei desejo hoje cantar e neste verso lembrar com ternura os nossos laços. Quantas vezes eu subi e me quedei mesmo ali nos teus braços feitos mão. quero dizer-te hoje, aqui, desse tempo e dessa idade: guardo no meu coração do teu carinho a saudade. Laureano Soares Do seu mais recente livro: Amor Paixão e Saudade Se desejar adquiri-lo contacte:  sol37@videotran.ca Tel.: 450-653-0023

25 ANOS DE AUSÊNCIA

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E eu, pai, sem palavras Para o homenagear. Correm as lágrimas, Choro sem parar. Subsistem as mágoas De não mais o abraçar. A saudade é dor, Em torrente de amor. Levanto os olhos aos céus; Murmuro uma oração, E no meu coração, sinto que hoje está, na "Gloriosa liberdade dos filhos de Deus." (II Rom 8, 18-23) MM 12 de Julho 2020

AS ROSAS

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Indiferentes Aos dias e horas. Às nossas mágoas Perdas e pranto. De mansinho, Desabrocham Em qualquer recanto. E os caminhos, Desta vida, Cheios de espinhos, Por momentos, Revelam encanto. MM Julho 2020

TRIBUTO A MINHA MÃE

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Que um dia por amor me deu O sopro de vida primeiro Entre o Ribeirinho e o Barreiro, E pouco mais tinha de seu Que um filho em cada braço Na disputa do regaço Do mimo e terno abraço E colo onde aninhar Na esperança de escutar Em doce voz de embalar: “Dorme, dorme meu menino… Tão pequenino, qual será o teu destino… Que sorte será a tua?” Já no berço, outro refrão: “Lua, luar não leves o meu menino Ajuda-me para o criar… Deixa-o no sono sossegar.” Mãe resiliente, Na sua frágil aparência. Em dias de tormenta, De lágrimas a marejar, Braços já a fraquejar Ia tomando consciência Que os meninos a crescer Muito mais era preciso Para a ambos sustentar. E a dura vida de martírio Só nas contas do rosário Desfiadas no caminho Em dias feitos calvário Traziam algum alívio. Severo foi o destino Que a fez mãe e a deixou só, Esperando meses e anos Cartas de boas novas De terras de além-mar Que tardavam em chegar. Mas não de...

MAIO DE MINHA MÃE

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O primeiro de Maio de minha Mãe Não era social, mas de favas e giestas. Uma cadeira de pau, flor dos dedos do Avô — Polimento, esquadria, engrade, olhá-la ao longe — Dava assento a Florália, o meu primeiro amor. Já não se usa poesia descritiva, Mas como hei-de falar da Maromba de Maio Ou, se era macho, do litro de vinho na sua mão? O primeiro de Maio nas Ilhas, morno como uma rosa, Algodoado de cúmulos, lento no mar e rapioqueiro Como Baco em Camões, Límpido de azeviche E, afinal de contas, do ponto de vista proletário, Mais de mãos na algibeira do que Lenine em Zurich. (Porque foi por esta época: eu é que não sabia!) A minha Maromba tinha barriga de palha como as massas E a foice roçadoira da erva das cabras do Ribeiro Que se pegou, esquecida, no banco do martelo de meu Avô Cujas quedas iguais, gravíficas, profundas Muito prego em cunhal deixaram, Muita madeira emalhetaram, Muita estrela atraíram ao bico da foice do Ribeiro Nas noit...

ABRIL DE CRAVOS E ROSAS

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Abril, lindo Abril. De cravos e céu anil. E também de rosas, Lindas, cheirosas. Presas a pedras de xisto, Rainhas, harmoniosas. Enfeitam este mural, Outrora feito com mestria; Da arte de quem sabia E nos deixou para sempre Em pedras equilibradas Muitas histórias gravadas! Preservemos cada pedra Da nossa raiz e memória, E jamais deitemos fora O quanto nos foi deixado Que muito custou erguer E é o nosso grande legado! MM Abril 2020

O MEU LÍRIO

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De lágrimas vestido... Timidamente floriu! É flor da Quaresma E cor de martírio. Não tarda, murchará… Cada pétala em agonia Da haste se desprenderá. Da flor só haverá pó… É o seu destino. Mas eu ficarei triste, Ainda mais só... Sem o meu lírio. MM Abril 2020

CRISTO RESSUSCITOU

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E, naquela madrugada, Subitamente serena, Para trás ficou: A pedra que rolou O túmulo vazio e frio, O encontro com Madalena, E o homem não acreditou... A cruz floriu, A luz brilhou, Apareceu aos discípulos, E a dúvida continuou... Toca, Tomé, o meu lado, Sou Eu! O amigo que te salvou. Com autoridade mandou: "Ide, pois,  e ensinai a todas as nações; " E o tempo passou... O Mestre subiu ao céu, Mas não os abandonou, O Espírito Santo enviou! Neste tempo velho e novo Olha para nós, Senhor! E manda de novo, A este mundo cheio de dor, O vento do teu Espírito, A força do teu amor. MM Abril 2020

FLORES DE CEREJEIRA E A IGREJA

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A IGREJA Por entre as flores de cerejeira É Ressurreição, é vida,  É alegria verdadeira. Não há compasso Nem amêndoas na varanda. Perdeu-se a tradição Mas não o coração, A raiz, a memória, a glória, A oração Da Palavra e do Pão Na Eucaristia,  A presença de Jesus. E em ti, em mim, em nós, Em qualquer dia, Brilha toda a sua LUZ! MM Abril 2018