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BARROCAS DO MURO

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Tão negro se vestiu o caminho na paisagem que era verde em aromas de urze e pinho que morre a terra de sede se não tiver outro destino traçado com mais carinho. As pedras choram de dor sinto-o nos passos que dou. Toco as pedras em horror que ainda me queimam a mão pelo fogo que aqui passou espiral louca em combustão.  Nesta tragédia e desolação Sinto-me desfalecer de desgosto bate descompassado o coração em raiva pelo fogo posto a alguém que não terá perdão nem no infinito salvação! Mariita Outubro 2025 "Poemas Incompletos"

QUANDO A REALIDADE FERE A ALMA

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Quando uma realidade tão devastadora se abate sobre um território que amamos é como se uma lança nos ferisse a alma e coração. Lembrar os passos de minha avó, de meus pais, do ti Manel Forte, do ti Brás, outros que não conheci ou a minha memória infantil não reteve e ergueram os primeiros palheiros, as paredes do chães, presas, minas e levadas, rasgaram veredas que mais alargaram em caminhos e veio ainda, em boa hora, a estrada que tanta tinta fez correr e nos faz chegar aqui de carro. Apenas no Inverno a azáfama era mais branda, mas sem deixar de haver trabalho. Mal o tempo fosse propício, já na Primavera, tudo começava às primeiras horas da madrugada. Cada estação tem o seu ritmo e culturas próprias e ninguém como os antigos para o saber e respeitar a natureza. Conforme a época tudo à volta se vestia de cores diferente. Verdejavam as serranias com o centeio e os chães com leiras de nabiças, favas, ervilhas, couves, batatais, milheirais, alface, cebolas, alhos, cenouras, cherovias, be...

DEIXA-ME QUE TE CONTE 😥

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  Deixa-me que te conte que também tu guardes na memória que cada uma destas pedras tem alma, sofre e chora e mora nelas a saudade eterna de todos os que viu, lhe tocaram e aqui se abrigaram.  Foram pedras arrancadas na serrania, umas perto outras mais longe, trazidas e assentadas por mãos hábeis que sabiam entrelaçar cada uma delas na perfeita e necessária forma de formarem parede, abrigo, aconchego, palheiro, curral e "casa". Homens e animais habitavam aqui na harmonia campestre do correr dos dias, feitos de amenas primaveras, quentes verões, outonos a esfriar e invernos agrestes de frio e neve que cobria semanas a fio a serra e os caminhos para a qui chegar. Nesta triste desolação parecia-me ouvir o lamento das pedras por já não serem lugar onde abrigar animais, pousar o cesto, descansar do caminho ainda para fazer, dar dois dedos de conversa e beber uma canequinha de água fresca da cântara de barro que todos os dias se enchia na presa. Do lume que crepitava na cozinha ond...

NÃO HÁ SÓ PEDRAS, MAS VIDAS !

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Nunca me custou tanto fazer este caminho como no dia em que aqui aqui estive no dia 3 de Outubro de 2025 para ver os estragos dos incêndio de 10 de Agosto. De alma amargurada, ainda assim, esperava um milagre.  E, por um breve momento renascia uma certa esperança pois ao olhar este ângulo do palheiro até parece quase direito, embora já tivesse visto lá de longe que não tinha o telhado, mas nada fazia prever o que iria encontrar.  Sufoquei! Não queria ver! Como era possível? Afinal outros incêndios grandes aqui lavraram e pouparam sempre esta minha memória dão doce. Infelizmente, desta vez, tudo se perdeu nas vorazes labaredas de um fogo dantesco como nunca tinha havido.  A barra da cama que foi de meus pais quando se casaram e meu pai tinha trazido para aqui. Logo na altura aborreci-me com ele porque tinha outras barras lá por casa sem este valor estimativo e muito menos bonitas... mas ideia dele foi esta e aqui termina, assim desta forma tão inglória - se entretanto não ...

IMAGENS DE OUTRO DIA EM 2020

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Imagens que não são muito diferente das que hoje infelizmente se veem em muitos locais e todos somos um pouco responsáveis por muito do que acontece. Todos somos um pouco responsáveis por muito do que acontece, não temos a mínima ideia de como podemos resolver o problema, mas também somos especialistas em descartar as nossas culpas, usar determinada e feia linguagem, acusar tudo e todos é sempre o caminho mais fácil... e assim acontece para todos os quadrantes e cores conforme a alternância democrática vai ditando. Podíamos ao menos dizer que vai sempre havendo gente que faz alguma coisa, talvez não dê é muito nas vistas. Outras vezes há quem queira e não consiga, se sinta desmotivado ou mesmo completamente desamparado e frustrado. Acontecendo ainda que as burocracias e leis entravam outras tantas resoluções e os sucessivos governos nunca vão ao terreno saber, ver e resolver, seja antes ou depois dos incêndios. Porém, importa também saber que as pessoas - nos lugares que ocupam em Lisb...