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JANEIRO DE TODAS AS ÁGUAS, VENTOS E MÁGOAS

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Janeiro de 2026, ao que parece, quer ficar na história pelos piores motivos ou seja: destruição, prejuízos e infelizmente também morte. Não ando pelas zonas atingidas, felizmente, mas as fotos que aqui coloco são de Leiria - tiradas num dia de muita chuva, mas não torrencial e sem vento - a bela cidade que tão afectada foi, está agora com o estado de calamidade pública decretado, mas acredito, que renascerá em breve com melhor planeamento e um futuro mais robusto e bonito pela frente.  Se a intensa neve trouxe motivos para sorrir pela beleza da paisagem, pelo fluxo de viajantes que acorreram a ver o manto branco e são uma "mais-valia" para as zonas esquecidas do interior, a verdade é que os dias e semanas de intensa chuva e as tempestades que se têm sucedido arrasaram este pequeno cantinho de um lado ao outro. É Inverno, dizemos! E, na verdade, já poucos se lembram dos invernos de outrora tão gelados de neve e gelo, intensos nevoeiros, húmidos, chuvosos, cheias sem fim e vent...

DEPOIS DA TEMPESTADE

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Uma nesga de calmaria até que raios, trovões, vento e chuva também tapem de novo o azul que ao longe aparecia. Esta noite o temporal fez-me regressar ao medo dos invernos da minha meninice quando o vento zoava aterrador, eu tapava a cabeça com as pesadas cobertas de fitas, tremia de frio, medo e tentava não ouvir aquele zoado que só podia ser demoníaco. Depois, lá iam as lajes num badanal, o céu abria-se inclemente sobre nós e despejava toda a água que parecia lá ter ficado do guarda depois do grande dilúvio que cobriu a terra.  Não havia telefone nem ninguém a quem pedir ajuda. Cada família tinha de se valer a si própria, mudar a cama e a mesa para outro canto, esperar que o vento e a chuva amainassem e houvesse condições mínimas de segurança para tentar remediar o que podia ser remediado e aqui entrava a solidariedade e ajuda de um povo que dava as mãos.  Mesmo com carências e deficiência sejamos, nós tempos que corre, mais agradecidos por haver meios de comunicação e de soc...

AS FLORES QUE JÁ MURCHARAM

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"Os dias voam"! É uma frase que ouvimos recorrentemente e com inteira razão, pois sem nos darmos  conta rapidamente se foi Janeiro e Fevereiro está mais de meio andando.  Como em todos os anos, logo no seu começo, as belas magnólias desabrocham em flor e dão-nos a sensação que o mundo, por alguns dias, está muito mais bonito! Quase não choveu nestes dois meses, o frio andou ali pela meia dúzia de dias, a neve foi escassa e começou uma Primavera antecipada, com as flores abriram devagar sem que a chuva as viesse estragar.  O tempo até podia mudar e a chuva começar a desabar, que para as flores de magnólia não faria já qualquer diferença, por que seu momento áureo de beleza e glória já estava a desaparecer. Se os homens olhassem para estas flores com sabedoria e inteligência e delas tomassem o exemplo, veriam como a beleza e glória da humanidade são também efémeros. Prodigiosa a mãe natureza que nos presenteia, sem que haja muito merecimento da nossa parte, com estas e outr...

JANEIRO À ESPERA DE SER VESTIDO 😊

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Ainda mal se anuncia no horizonte o Outono e já ao balançar da ventania as árvores de folha caduca cumprem o seu ciclo de vida despindo-se sem contemplações. Há tapetes de milhares de folhas dourados a cobrir o chão que ao domínio do vento rodopiam em bailados perfeitos e em todas as direcções. Há locais onde essa nudez é bastante sentida pelas muitas árvores que ali foram plantadas e se despem agora deixando ver, por entre galhos que parecem secos, o céu azul pincelando de branco, outras vezes cinzento ou negro, com a ameaça da chuva sempre desejada e desde que venha na quantidade adequada.  Em dias curtos e noites mais longas demasiado rápido passa o Outono. De repente, num leve estremecer, abre-se a porta do Inverno para nos presentear com esta paisagem "fria e nua" que parece sem aconchego e Janeiro emoldura.   Os jardins perdem a beleza das flores e o viço das árvores. Raramente se ouvem risos ou bulício de crianças. Recolhem-se os mais velhos que fazem do jardim pon...

MEU JANEIRO ”VIDRADO”

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Diz o provérbio que: "Janeiro geoso traz um ano formoso". E, não sendo eu entendida em agricultura, noutro tempo ouvia dizer que os campos beneficiam da modorra criada pelo frio e esta fina água do sincelo (gelo) vai direitinha para as entranhas da terra mantendo húmida por mais tempo. Janeiro é também o mês que recordo do tempo de criança pelo "cramelo" (caramelo ou gelo) pendurado das fragas em estranhas mas bonitas figuras transparentes, e da geada que não derretia nas avesseiras dos caminhos tornando-os ainda mais perigosos.  Uma das brincadeiras desta altura era pisar as poças de água para ouvir aquele som tão característico do "vidro" a partir, pegar depois nos pedaços e brincar com eles até derreterem, ou atirá-los a algum dos colegas de brincadeira. O reverso da medalha desta brincadeira inocente eram as frieiras! O frio intenso era propício às lesões na pele das mãos, e muitas vezes os que ajudavam a família nas lides do campo já estavam mais exp...

O MAR DE JANEIRO

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Que espanta as gaivotas e lhes dá boas tardes de soalheiro! É revolto em maré viva, força indomável e cheia de vida! Com ondas ao vento a bailar,  envoltas em espuma, que na praia se vêm desmanchar! Extenso e fino areal lavado, que os farrapos de espuma deixam manchado! Espuma que ao vento se desfaz... A lembrar os efémeros dias que cada ano nos traz! Olho e vejo assim o mar de Janeiro,  mas que vou guardar para o ano inteiro!