JANEIRO DE TODAS AS ÁGUAS, VENTOS E MÁGOAS
Janeiro de 2026, ao que parece, quer ficar na história pelos piores motivos ou seja: destruição, prejuízos e infelizmente também morte. Não ando pelas zonas atingidas, felizmente, mas as fotos que aqui coloco são de Leiria - tiradas num dia de muita chuva, mas não torrencial e sem vento - a bela cidade que tão afectada foi, está agora com o estado de calamidade pública decretado, mas acredito, que renascerá em breve com melhor planeamento e um futuro mais robusto e bonito pela frente.
Se a intensa neve trouxe motivos para sorrir pela beleza da paisagem, pelo fluxo de viajantes que acorreram a ver o manto branco e são uma "mais-valia" para as zonas esquecidas do interior, a verdade é que os dias e semanas de intensa chuva e as tempestades que se têm sucedido arrasaram este pequeno cantinho de um lado ao outro.
É Inverno, dizemos! E, na verdade, já poucos se lembram dos invernos de outrora tão gelados de neve e gelo, intensos nevoeiros, húmidos, chuvosos, cheias sem fim e ventos bem agrestes que faziam bastantes estragos e levavam vidas que, ao tempo, não eram contabilizadas. Mas, é certo, não podemos esquecer que os fenómenos climáticos se sucedem.
É, pois, de lamentar que nas aldeias, vilas e cidades sejam implantadas inúmeras estruturas incapazes de para suportar ventos médios quanto mais ciclónicos! Esqueceu-se a robustez de antigos edifícios e veio a "onda" de envidraçados, espelhados com materiais que são tudo menos próprios para intemperes invernosas ou para verões de calor extremo!
As Árvores nos jardins, alamedas e avenidas, muitas não são adequadas e outras são esquecidas de podas, limpeza e tratamentos em anos sucessivos. Continua a construir-se em leitos de rios e ribeiras, as estradas não têm valetas altas nem manilhas de escoamento de águas direccionadas para as ribeiras ou rios próximos e tantas outras coisas que não contribuem nada para ajudar a minimizar riscos principalmente de vida que é o bem mais precioso, num tempo de tanto conhecimento.
Já sabemos que os elementos da natureza, quando em fúria, são impossíveis de dominar. O clima estará cada vez mais imprevisível e com piores consequências. Há situações como a de barragens cheias que por questões de segurança não podem deixar de descarregar água pelo que as cheias serão sempre inevitáveis, mas há muitas outras coisas que se podem prevenir para que bens e pessoas sejam devidamente acautelados. Bastar pensar, querer e fazer sabendo que mesmo com todos os cuidados nada é isento de risco e todos os cidadãos devem também ter consciência disso.
Neste Janeiro de tantas mágoas deixo a minha nota de tristeza, pesar e oração por todos os que perderam os seus entes queridos nesta tragédia. Um dia talvez possa voltar a ajoelhar-me aqui na antiga, resistente e bonita Igreja do Espírito Santo e a todos terei no pensamento e no coração.

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