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QUE A MEMÓRIA NÃO SE PERCA

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Neste tempo de tantos saberes, explanações e contradições em que quase todos comentam e sabem tudo, que ao menos hoje seja dado um passo unanime e de consolidação da democracia. É um regime imperfeito bem o sabemos, mas o único a dar-nos garantias de liberdade e só em liberdade se pode pensar, agir, ter formas de protestar, fazer ouvir a nossa voz e conseguir mudar alguma coisa. Os que embarcam em cantigas de que o regime salazarista nem era assim tão mau têm muito fraca memória. Não leram, não ouviram, não viram, não sentiram e não sofreram. Querer três ditadores em vez de um é fazer pouco das mulheres, homens e crianças que tanto sofreram neste País e talvez valha a pena recordar. Mais, avivar feridas não cicatrizadas da descolonização – cujos principais responsáveis foram os governantes do Estado Novo – que por “mania de grandeza” não olharam aos desastres ocorridos noutros territórios africanos e não souberam agir em benefício dos povos é “brincar” com o sofrimento alheio e atiçar ...

DEPOIS DA TEMPESTADE

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Uma nesga de calmaria até que raios, trovões, vento e chuva também tapem de novo o azul que ao longe aparecia. Esta noite o temporal fez-me regressar ao medo dos invernos da minha meninice quando o vento zoava aterrador, eu tapava a cabeça com as pesadas cobertas de fitas, tremia de frio, medo e tentava não ouvir aquele zoado que só podia ser demoníaco. Depois, lá iam as lajes num badanal, o céu abria-se inclemente sobre nós e despejava toda a água que parecia lá ter ficado do guarda depois do grande dilúvio que cobriu a terra.  Não havia telefone nem ninguém a quem pedir ajuda. Cada família tinha de se valer a si própria, mudar a cama e a mesa para outro canto, esperar que o vento e a chuva amainassem e houvesse condições mínimas de segurança para tentar remediar o que podia ser remediado e aqui entrava a solidariedade e ajuda de um povo que dava as mãos.  Mesmo com carências e deficiência sejamos, nós tempos que corre, mais agradecidos por haver meios de comunicação e de soc...

NÃO HÁ SÓ PEDRAS, MAS VIDAS !

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Nunca me custou tanto fazer este caminho como no dia em que aqui aqui estive no dia 3 de Outubro de 2025 para ver os estragos dos incêndio de 10 de Agosto. De alma amargurada, ainda assim, esperava um milagre.  E, por um breve momento renascia uma certa esperança pois ao olhar este ângulo do palheiro até parece quase direito, embora já tivesse visto lá de longe que não tinha o telhado, mas nada fazia prever o que iria encontrar.  Sufoquei! Não queria ver! Como era possível? Afinal outros incêndios grandes aqui lavraram e pouparam sempre esta minha memória dão doce. Infelizmente, desta vez, tudo se perdeu nas vorazes labaredas de um fogo dantesco como nunca tinha havido.  A barra da cama que foi de meus pais quando se casaram e meu pai tinha trazido para aqui. Logo na altura aborreci-me com ele porque tinha outras barras lá por casa sem este valor estimativo e muito menos bonitas... mas ideia dele foi esta e aqui termina, assim desta forma tão inglória - se entretanto não ...

DOMINGO DO BOM PASTOR

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Recordo, hoje, a Missa Nova de meu tio, celebrada há 65 anos, neste Domingo do Pastor, em que acredito o Sobral se tenha vestido de festa, embora a roupa de minha avó fosse negra, com a cabeça e rosto tapados tal não indicasse. Porém, este era o traje que as mulheres viúvas adoptavam e com ele viviam quase sempre até ao fim da vida. É vestida assim que me recordo dela na minha infância, e o mesmo posso dizer desta imagem do meu tio Padre. Atrás, o meu tio João, rosto que me ficou também gravado na memória, por nos ter deixado não muito tempo depois de forma trágica, em acidente nas Minas da Panasqueira. As minhas lembranças deste dia, confesso, não são nenhumas. Mas fique a saber, creio que no ano passado, da minha presença na Missa Nova, com a Igreja cheíssima, e eu ao colo da menina Evangelina, pois apenas com cinco anitos ficaria "perdida" no meio da multidão sem nada vislumbrar. O rapazinho que se vê no lado esquerdo talvez seja o meu irmão... Mas aposto que nem ele será ...

HOMENAGEM A AMÉRICO PURIFICAÇÃO

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Na Paz de Deus. Em pensamento, oração e comunhão com Pais Querido, Isabel Moreira, Rui Silva. Abraço fraterno e amigo. EM SUA MEMÓRIA Há vidas que se cruzam E recusam Despedida apressada. Pois há tanto para fazer Que nunca é a hora Pensada ou desejada. E fugimos, resistimos, Mas sabemos e sentimos Que não há tempo. A vida é assim...  Leve sopro que dura Apenas um momento. Mas sonhamos. Vivemos na corda bamba, Pé ante pé no fio da navalha, Que corta e talha, Sem medida  A derradeira mortalha. E na hora da partida Prematura, dura, Agrura difícil de aceitar. Gritamos com Deus Que não ouve, não acode E nem sabemos rezar. Ficamos assim perdidos, Náufragos em alto mar, Lavados em lágrimas e tormento. E, no pensamento, a revolta Do muito que ficou Por dizer e acabar. Mas guardemos as memórias De uma VIDA bonita, Cheia de histórias e glórias Para aos netos contar. E afirmar,  Que em cada dia,  A história vai continuar. E será então gravada Em letras de ouro, Qual tesouro No ...

25 ANOS DE AUSÊNCIA

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E eu, pai, sem palavras Para o homenagear. Correm as lágrimas, Choro sem parar. Subsistem as mágoas De não mais o abraçar. A saudade é dor, Em torrente de amor. Levanto os olhos aos céus; Murmuro uma oração, E no meu coração, sinto que hoje está, na "Gloriosa liberdade dos filhos de Deus." (II Rom 8, 18-23) MM 12 de Julho 2020

SAUDADE e ORAÇÃO

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Hoje é uma dia de saudade e oração pelo Tio Padre, que partiu para a viagem eterna neste dia 18 de Maio. O tempo - 16 anos - não fez esmorecer a recordação e a certeza de que continua aqui, bem vivo no nosso coração. E porque o seu " Cantando os  Hermínios "  é sempre comovente e belo, aqui fica um dos "Cantos" que tão bem expressa o sentimento deste dia.  Cantando a Estrela - Evocação (...) "Quero cantar-te como tu mereces Mas falta-me talento, engenho e arte... Por isso ergo a Deus as minhas preces; Que a musa me acompanhe em toda a parte, Conserve a neves brancas que ofereces; E, tantos, tantos, possam contemplar-te; E, felizes e contentes, como eu, Saltar das tuas rochas para o Céu." Cantando os Hermínios Pe. António Pinto da Silva

FICAM AS MEMÓRIAS E RECORDAÇÕES

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A minha singela homenagem ao Ti Zé Brás O Ti Zé Brás, ainda meu familiar e vizinho quando eu era menina, deixou-nos para sempre, e perdemos um homem que no Sobral acompanhou várias gerações de sobralenses, viajantes ocasionais ou estudantes, que na camioneta de carreira por ele conduzida, rumavam do Sobral à Covilhã ou vice-versa. Houve, por isso, nestes dias, muita gente a recordar o acolhimento, paciência e simpatia com que o Ti Zé Brás da “carreira” fazia cada viagem e na qual punha todo o seu empenho e profissionalismo. Eu, confesso, pouco me lembro do tempo em que ele ainda morava com os pais na pequena casa cujo telhado de lousa "batia" então na "nossa" rua. Também não tenho imagens desse tempo da Giesteira onde somos vizinhos, e creio que terei viajado com ele apenas três vezes ou quatro vezes na década de 70. Com filhos pequenos a requerer toda a atenção, era o meu pai que com ele conversava toda a viagem, de que já era cliente assíduo nos dias da...

MEMÓRIAS... EM DIA DO COPRO DE DEUS

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Em Dia do Corpo de Deus A Palavra, o Pão, a Procissão. Cânticos a louvar aos céus, Crianças na multidão. Cresceram os meninos, De mais palavras sabedores. Buscaram outros destinos, Novos mundos acolhedores. Definhamos sem esperanças, Na espera e na saudade, Não há bulício de crianças Que renovem a idade. Perdeu-se o centeio na serra, Ninguém quer semear o pão. Sem água viva seca a terra E acabará a Procissão! MM Junho 2019

MEMÓRIAS e RECORDAÇÕES

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15 ANOS DE SAUDADE Pe. António Pinto da Silva Faleceu: 18/05/2004 15 anos de saudade, mas sempre no nosso coração e oração. E hoje é um dia para o recordar com muito carinho, lembrando também que, por coincidência, partiu no mesmo dia em que João Paulo II – alguém que muito admirava e com quem se encontrou - festejava o nascimento. Agora, juntos em comunhão no abraço de Deus. 

MEMÓRIA QUE NÃO SE APAGA

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Apesar de a natureza estar a renascer das cinzas, as memórias da tragédia de 15 de Outubro permanecem bem vivas na memória de quem as viveu, mas também de quem passou por estes caminhos pouco tempo depois da tragédia.  O verde dá novo alento, minimiza o impacto que o negro deixa na paisagem, e, de certa forma, suaviza a dor e o luto. Mas infelizmente pouco se fez para tentar mudar o cenário de uma floresta desordenada e sem futuro. Se ninguém acudir como deve ser, este verde pulmão vai desaparecer e, com ele, toda uma região cheia história que não merece tal ostracismo.😢