DEIXA-ME QUE TE CONTE 😥
Deixa-me que te conte que também tu guardes na memória que cada uma destas pedras tem alma, sofre e chora e mora nelas a saudade eterna de todos os que viu, lhe tocaram e aqui se abrigaram. Foram pedras arrancadas na serrania, umas perto outras mais longe, trazidas e assentadas por mãos hábeis que sabiam entrelaçar cada uma delas na perfeita e necessária forma de formarem parede, abrigo, aconchego, palheiro, curral e "casa". Homens e animais habitavam aqui na harmonia campestre do correr dos dias, feitos de amenas primaveras, quentes verões, outonos a esfriar e invernos agrestes de frio e neve que cobria semanas a fio a serra e os caminhos para a qui chegar. Nesta triste desolação parecia-me ouvir o lamento das pedras por já não serem lugar onde abrigar animais, pousar o cesto, descansar do caminho ainda para fazer, dar dois dedos de conversa e beber uma canequinha de água fresca da cântara de barro que todos os dias se enchia na presa. Do lume que crepitava na cozinha ond...