Neste tempo de tantos saberes, explanações e contradições em que quase todos comentam e sabem tudo, que ao menos hoje seja dado um passo unanime e de consolidação da democracia. É um regime imperfeito bem o sabemos, mas o único a dar-nos garantias de liberdade e só em liberdade se pode pensar, agir, ter formas de protestar, fazer ouvir a nossa voz e conseguir mudar alguma coisa. Os que embarcam em cantigas de que o regime salazarista nem era assim tão mau têm muito fraca memória. Não leram, não ouviram, não viram, não sentiram e não sofreram. Querer três ditadores em vez de um é fazer pouco das mulheres, homens e crianças que tanto sofreram neste País e talvez valha a pena recordar. Mais, avivar feridas não cicatrizadas da descolonização – cujos principais responsáveis foram os governantes do Estado Novo – que por “mania de grandeza” não olharam aos desastres ocorridos noutros territórios africanos e não souberam agir em benefício dos povos é “brincar” com o sofrimento alheio e atiçar ...