SONHOS (NÃO) SONHADOS
Nem nos melhores sonhos alguma vez pensei que, depois de mim, os meus filhos e netos viessem a calcorrear as escadarias e estreitas ruas da aldeia onde nasci ou estes caminhos que levam à serra, alguns bem mais largos do que eram na minha meninice.
Fica-me, no entanto, um sentimento agridoce por já não ser possível contemplarem os campos verdes que havia em todas as encostas de um lado e do outro da serra, a azáfama dos camponeses, pastores, resineiros.... as dezenas de bonitos palheiros em xisto, o melhor apoio das lides campestres, abrigo de animais, pessoas e alimentos.
Mas, a agricultura em terrenos escassos, em socalcos, muito pobres, não era futuro e, legitimamente, todos queriam melhor vida para si e para os seus. Esse abandono mudou drasticamente a paisagem ao longo dos anos e não tenhamos dúvidas que vai continuar a mudar para pior se não forem tomadas medidas certas no tempo que já escasseia.
Há uma vista comovente e preocupante sobre Sobral de São Miguel que o último incêndio veio adensar ainda mais quando constatamos a impotência que temos de sozinhos travar a erosão se não houver, por parte de quem o pode fazer, atenção ao que significam estes ecossistemas, muito especialmente as nascentes de água, porque cada gota é imprescindível para a sobrevivência de todos.
É que os "loucos de Lisboa", ou de qualquer outro lugar, até podem querer fazer-nos acreditar; mas a terra não gira ao contrário nem há rios a nascer no mar. Logo, é urgente pensar, que todas as serras são imprescindíveis com tesouros a preservar e as nascentes o maior deles o maior porque sem água não é possível a sobrevivência de qualquer espécie de vida. Porém, parece que ninguém vê isso!
Agora que aquela Europa verdinha, que até diziam bem ordenada, sem grandes eucaliptos... mas onde o abandono rural é também uma realidade cruel e tudo arde sem dó nem piedade talvez haja consciência, vontade, bom senso e se vislumbre uma réstia de esperança para as serras e as heróicas populações ali residentes como único meio para travar a desertificação e todas as catástrofes anunciadas. Acreditem que não são as grandes plantações e muito menos as intensivas que vão ajudar a regenerar seja o que for.

Que a serra seja realmente valorizada e ajudada a recuperar o equilíbrio da flora e fauna autóctones. Que haja alguma terra cultivada e voltem pequenos rebanhos com tudo o que de positivo a pastorícia pode ter. Que as nascentes recuperem e sejam capazes de alimentar presas, minas, cascatas, ribeiras, rios e fontes ao longo de todo o ano.
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É talvez o desejo mais utópico, mas é o que eu mais queria para que os meus SEIS NETOS, os vossos e os do mundo inteiro de nós tivessem a melhor herança; um planeta com VIDA onde possam viver e celebrar a sua própria VIDA sem esta contínua ameaça que paira sobre o futuro.
Bem-haja ao Clã 58, Agrupamento de Escuteiros 321 de Vilar do Paraíso pelas fotos que me permitiram fazer uma viagem por caminhos percorridos, levaram-me a esta reflexão que dedico ao meu neto PEDRO DINIS que de novo se aventou por aqui, agora com o seu grupo, e celebra hoje 21 anos de VIDA!
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