DIA DE TODOS OS SANTOS

Este ano, o último domingo de Outubro coincidiu com a solenidade de Todos os Santos, celebrada pela Igreja Católica. Trata-se de um dia de oração importante, que nos lembra que a santidade está ao alcance de todos, embora seja necessário trabalhar muito para a alcançar. Felizes os que o conseguem e nos deixaram esse exemplo.
Embora o dia 1 de Novembro seja o dia em que se celebra a vida e a santidade, e não a morte, a verdade é que as visitas ao cemitério e a recordação dos entes queridos ocorrem neste dia, por ser feriado nacional, que este ano coincidiu com um domingo. O Dia de Fiéis Defuntos será amanhã, 2 de Novembro.
É um dia de saudade por quem partiu, uma tradição profundamente enraizada que faz bem à alma e ao coração recordando tanto que juntos vivemos. Muitas vezes propícia o reencontro das famílias unidas neste propósito de homenagear os seus entes queridos. Acredito que, mesmo para quem não tem fé, a perdeu ou está afastado da Igreja, esta data não lhe é indiferente, porque todos temos sentimentos de amor.
O único aspeto negativo deste dia são os contentores que transbordam à porta de qualquer cemitério, devido à proliferação de velas e flores de plástico que, não sendo biodegradáveis, enchem as campas e são substituídas ano após ano, sem qualquer respeito pelas gerações futuras que terão de viver numa natureza já tão poluída.
Não apresento aqui nenhuma fotografia desses contentores cheios, mas todos já os viram. Dói-me a alma ver que, em nome da saudade de quem morreu, se maltrate a natureza de forma inconsciente e se dê um mau exemplo aos filhos, netos e bisnetos, que terão de viver numa terra incapaz de regenerar tanto lixo e com ar e água poluídos, o que causará mais doenças e mortes. Quando é que as pessoas tomarão consciência deste flagelo?
Gostaria muito de voltar a ver campas simples enfeitadas apenas com flores naturais, como as de antigamente. Hoje em dia, há campas para todos os gostos, o que não passa de mais um negócio aberrante em torno da morte. Porém, independentemente de serem de terra, mármore ou granito, os proprietários podiam limitar-se a um único arranjo artificial e biodegradável. No entanto, a competição é uma doença instalada e talvez seja necessário legislar para limitar o número de velas e outros artefactos poluentes.
Por favor, onde quer que me sepultem, nunca se atrevam a colocar uma flor artificial na minha campa. Pode ser apenas uma, simples e de qualquer cor.






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