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A mostrar mensagens de janeiro, 2023

AS AMORAS

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O meu país sabe a amoras bravas no verão. Ninguém ignora que não é grande, nem inteligente, nem elegante o meu país, mas tem esta voz doce de quem acorda cedo para cantar nas silvas. Raramente falei do meu país, talvez nem goste dele, mas quando um amigo me traz amoras bravas os seus muros parecem-me brancos, reparo que também no meu país o céu é azul. Eugénio de Andrade Centenário de nascimento

A BOCA

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A boca, onde o fogo de um verão muito antigo cintila, a boca espera (que pode uma boca esperar senão outra boca?) espera o ardor do vento para ser ave, e cantar. ❤️ ❤️ Levar-te à boca, beber a água mais funda do teu ser - se a luz é tanta, como se pode morrer? Eugénio de Andrade Centenário de nascimento 

MULHERES DE PRETO

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Há muito que são velhas, vestidas de preto até à alma. Contra o muro defendem-se do sol de pedra; ao lume furtam-se ao frio do mundo. Ainda têm nome? Ninguém pergunta, ninguém responde. A língua, pedra também. Eugénio de Andrade Centenário de nascimento 

À ESPERA DE UM MANTO BRANCO

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Em cada Inverno, há em mim o enorme desejo de ver a Serra da Estrela coberta no seu manto branco, tão deslumbrante quanto gelado, e me deixa sempre muda de  espanto! Esta paisagem faz parte do meu mundo de infância, sem precisar de subir a esta altitude, porque os dias de neve intensa cobriam a serrania à volta da aldeia, os caminhos ficavam difíceis de percorrer, e não era um tempo fácil para quem precisava de sair fosse em trabalho, resolver assuntos inadiáveis ou até alimentar o gado  que estava mais longe do povoado.  Pensar em ir ver a neve, na Estrela, não era nesse tempo um passeio exequível e nem sequer me lembro de o ter desejado. No Verão, sim! Queria ver a Lagoa Comprida, a Cabeça do Velho e da Velha… e ver o "mundo" que lá do cimo da serra se lobrigava!  Sendo a neve o seu "ex-libris", ainda assim, a Serra da Estrela oferece hoje condições privilegiadas em qualquer estação do ano e, felizmente, já não é só pela paisagem branca que atrai muita gente, mas ...

UM ANO QUE DEVIA SER NOVO...

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Já estamos a viver um novo ano - que devia mesmo ser - se não estivesses os seus dias marcados num mundo de incertezas gerado pela Covid-19, mais outros vírus que se vai juntando e, o pior de tudo, a guerra!  É certo que, infelizmente, a guerra nunca deixou de estar presente em muitos países do mundo, mas, na verdade, e ainda que neste mundo global nada seja longe... ter este flagelo dentro da Europa, parece difícil de acreditar, não se sabendo como nem quando irá terminar, com os dias sucessivos de bombardeamentos, a destruição de bens, mas principalmente a perda de vidas humanas que deixam os povos martirizados, à mercê de todos os perigos e sem futuro, não indiciam nada de bom neste 2023. Não é admissível que, neste século XXI, de tanta tecnologia e progresso que se quer ao serviço do bem de toda a humanidade, esta seja usada pelos homens de coração cheio de ódio. com sede de poder e vingança para destruir povos, cercear-lhes todos os direitos fundamentais, deixar sem futuro jov...