TANTO QUE FICOU PARA TRÁS
É Novembro, dia 11, uma data especial, comemorativa e, como tal, apesar de tanta perda, morte e injustiça que houve para chegar a ela e às vezes a voz até preferir calar, na verdade importa também manter a memória para o futuro.
É dia de muitas lembranças que se atropelam e é, sobretudo, o dia que todos os que amam Angola pensavam fazer de CELEBRAÇÃO de festa nas ruas e mudança há tanto esperada. Mas não foi! Passam hoje 50 anos da Independência de Angola, aquele país merecia melhor, e é por isso que nem todos os traumas passados me podem impedir de os assinalar.
Não me cabe fazer julgamentos do que se passou até chegar essa tão almejada data, alicerçada em tantos erros cometidos, perdas humanas, materiais e danos físicos e psíquicos irreversíveis que geraram tanta dor, divisões e também tanto ódio ainda presente no coração de muitos nos dias de hoje.
Para quem terá até ao final da vida África no coração, celebrar é amar, reconciliar e perdoar, um caminho nunca fácil de trilhar, mas é o meu! E talvez seja importante lembrar a quem se esqueceu que os danos não começaram só na descolonização... quantos séculos deles o povo todo - de lá e de cá - sofreu, ou seja de um Portugal sem voz, apenas com fome, medo e luto pelos muitos filhos que perdeu.
Das quase Terras do Fim do Mundo onde primeiro vivi, até ao Planalto Central de Angola onde acabei de crescer e formar família, das cidades e lugares que conheci sei que de cada um deles com os seus sons, as suas cores, aromas e sabores estará para sempre em mim!
A saudade é eterna enquanto a memória e a vida deixarem e todas as coisas boas e bonitas desta terra, com tudo o que me deu e ensinou, os amigos que fiz, os lugares onde trabalhei, as festas (farras), cinemas, piscinas e praias que frequentei guardarei para sempre no coração.
Alguém disse: "Todo o homem é meu irmão" pois, então, eu quero para cada um dos meus irmãos em África o mesmo que quero para mim. Casa, Pão, Habitação, Saúde e LIBERDADE de pensar, fazer e ser. Infelizmente a guerra civil e a riqueza que as elites vão acumulando deixando migalhas para o povo, sempre o povo, não trouxeram a Angola o caminho esperado.
A FESTA DA INDEPENDÊNCIA deveria ter sido com todos os que lá nasceram, amaram Angola, ali construíram a sua vida, as cidades, vilas, aldeias... e é tremendamente injusto que assim não tenha sido. Que os canhões da guerra troassem, destruíssem as belas cidades, vilas e aldeias, matassem sem dó nem piedade e a fuga tivesse sido a única solução viável de sobrevivência para milhares de pessoas. Há tanta história para contar...
As culpas, se algum dia alguém as descobrir, ficarão na história já sem possibilidade de reverter o que quer que seja. Este processo seria sempre muito complicado e difícil por tantas "tendências" políticas envolvidas e pelas cobiçadas riquezas de que Angola dispõe. E não vale a pena dizer mais nada!
Hoje, muitos nascidos depois da independência fazem um "balanço" muito negativo destes 50 anos e questionam o porquê...!! O povo ficou mais pobre, pouco se preservou e continuou de tudo o que era bom e foi feito na saúde, na educação, no desenvolvimento industrial, comercial, científico... a história continuará... sem dúvida!
Mas hoje é dia de PARABÉNS a Angola por estes 50 anos em que o sonho de outro futuro em liberdade começou. Que o caminho futuro traga mais desenvolvimento e oportunidades para todos os angolanos e Angola e suba ao lugar que lhe pertence, por direito, no mundo!
Fotos que me foram oferecidas pelo Senhor José Tavares, infelizmente já falecido, e tiradas em 2012 em viagem a Angola com passagem por várias cidades: como Nova Lisboa, Sá da Bandeira e Moçâmedes


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