Hoje, um ano depois desse fatídico dia 15 de Outubro de 2017, não me posso esquecer de ti, Mariana Diogo, que viveste na pele este horror de estar rodeada de fogo e com esse monstro "jogar", fintando-o, numa luta desigual mas que corajosamente venceste. Lembro-me do desespero dos teus pais a tentar saber que caminhos seriam mais seguros para regressares a casa, em vez de prosseguir viagem, mas uma tarefa difícil quando as comunicações se tornam inexistentes. Sendo, por isso, a tua própria avaliação no terreno e o teu instinto de sobrevivência a única segurança possível. A noite a cair rapidamente, o fumo que de trás de serra se adensava, deixou-nos ali, pregados ao chão, a tentar disfarçar a angústia, de coração sobressaltado e em prece silenciosa aos céus. Quando o teu carro assomou no cimo do caminho, que alegria! Um misto de sentimentos fizeram com que algumas lágrimas aflorassem no canto dos olhos, mas logo bem disfarçadas porque o momento era de agrade...