Quando a noite cai Vagueio quase perdida, Só vejo portas fechadas E há pouco sinal de vida. O silêncio é pesado, Sinto que ninguém vem, Há escuridão em muita casa E no meu coração também. Desço à rua, olho em volta, Tudo tão bem iluminado, E imagino que por magia Nascia um mundo encantado! Pois cada pequeno lugar Tem muitas páginas de história, Urge escrever cada linha E não perder tal memória. Representar em cada cena O quanto este povo viveu, Conquistando com coragem Tudo quanto tem de seu. Estas calçadas teriam Nova vida e encanto Em risos, festa, alegria E cantares em cada canto! Que maravilha! Diriam! Ao descobrir outro recanto A luz mostra o caminho E os olhos abrem-se de espanto! A Igreja abriria portas Em noites de oração Terço, Missa, Via-sacra, Povo de fé e devoção! Ladainhas e Penitentes Teriam novos actores, Recriando dores e lamentos Dos passos de Nosso Senhor. Sinto frio... sinto dor... A chuva vem-me acordar Dou-me conta que estou só E caminhei a sonhar!...