CANTO X
"Sobral de São Miguel, berço dourado, Nenhum igual a ti, ó meu amor. Terra de meus pais, canteiro amado, Repleto de mil bênçãos do Senhor; De muitos naturais foste cantado, Em cítaras e harpas de louvor. Rezas, humilde, prostrado, ao fundo, Como que a lembrar o final do mundo. Teus filhos comem, na dureza, o pão, Amassado no esforço e no suor: No fundo do Lugar, no Caratão, Por todos os lugares ao derredor, Soará sempre em nosso coração E no fundo da alma com mui fervor: Sobral acolhedor, hospitaleiro, Não igual a ti no mundo inteiro. Povo imortal dos teus e meus avós, Eu te saúdo, canto e venero. Vives distante, abandonado, a sós; Mas ver-te alevantado ainda espero Após tremenda luta, guerra atroz, Num grito enorme, final desespero: «Não deixem morrer meu Sobral, querido. Assim «por eles», meu grito seja ouvido!" Pe. António Pinto da Silva Cantando os Hermínios