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AS PORTAS DA CIDADE

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Tantas imagens queria ter publicado até ao mês de Setembro, todas em atraso já desde o ano passado, mas tem sido impossível. Os meus dias lembram-me o trava-língua  «O tempo perguntou ao tempo quanto tempo o tempo tem. O tempo respondeu ao tempo, que o tempo tem tanto tempo, quanto tempo o tempo tem.» Assim vou continuar fora de tempo, já com o tempo mais avançado, mas seja qual for o tempo  imagens dos Açores - que tive o grato prazer de visitar em Junho de 2024 - nunca estão fora de tempo pelo encantamento  Passear na cidade de Ponta Delgada é uma "viagem" a uma arquitectura que me encanta e onde "podia perder", facilmente, horas e dias só a olhar as Portas da Cidade, as belas Igrejas, o mar e tanto que me prende o olhar.  Talvez um dia possa voltar nem que seja de novo à ilha de São Miguel, ou não fosse ele o meu Anjo de eleição! Fica o desejo! 

LONGE, MUITO LONGE O MEU PENSAMENTO 💗

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EM PENSAMENTO 🌻 Hoje levanto os pés do chão vou voar em pensamento libertando o coração da saudade que é tormento. Atravesso o oceano navegarei noutras águas em caminho sem engano nele deixarei minhas mágoas. Sentirei cheirinho bom da terra vermelha molhada o batuque com seu som virá do kimbo à picada. Cumprirei tantos desejos que em suspenso ficaram cobrirei campas de beijos e flores que nunca murcharam. Na macia areia da praia meus pés caminharão de novo bebendo e gingando a saia entrarei na festa do povo. Lágrimas serão derramadas pelas amizades perdidas brindarei às encontradas e curaremos feridas. Na montanha ou na savana no deserto, no rio ou no mar no pôr-do-sol da terra angolana morrerá o meu olhar. Não "retorno" a parte incerta... de torpes gestos é feito o que não sei... na perda, na tristeza e na dor não há festa... Magoam-me epítetos que nunca terei... Mas se o amor e a liberdade é o que resta Então, num POVO LIVRE me fundirei! Mariita 11 de Novembro de 2025

TANTO QUE FICOU PARA TRÁS

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É Novembro, dia 11, uma data especial, comemorativa e, como tal, apesar de tanta perda, morte e injustiça que houve para chegar a ela e às vezes a voz até preferir calar, na verdade importa também manter a memória para o futuro.   É dia de muitas lembranças que se atropelam e é, sobretudo, o dia que todos os que amam Angola pensavam fazer de CELEBRAÇÃO de festa nas ruas e mudança há tanto esperada. Mas não foi! Passam hoje 50 anos da Independência de Angola, aquele país merecia melhor, e é por isso que nem todos os traumas passados me podem impedir de os assinalar.  Não me cabe fazer julgamentos do que se passou até chegar essa tão almejada data, alicerçada em tantos erros cometidos, perdas humanas, materiais e danos físicos e psíquicos irreversíveis que geraram tanta dor, divisões e também tanto ódio ainda presente no coração de muitos nos dias de hoje.  Para quem terá até ao final da vida África no coração, celebrar é amar, reconciliar e perdoar, um caminho nunca ...

BARROCAS DO MURO

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Tão negro se vestiu o caminho na paisagem que era verde em aromas de urze e pinho que morre a terra de sede se não tiver outro destino traçado com mais carinho. As pedras choram de dor sinto-o nos passos que dou. Toco as pedras em horror que ainda me queimam a mão pelo fogo que aqui passou espiral louca em combustão.  Nesta tragédia e desolação Sinto-me desfalecer de desgosto bate descompassado o coração em raiva pelo fogo posto a alguém que não terá perdão nem no infinito salvação! Mariita Outubro 2025 "Poemas Incompletos"

QUANDO A REALIDADE FERE A ALMA

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Quando uma realidade tão devastadora se abate sobre um território que amamos é como se uma lança nos ferisse a alma e coração. Lembrar os passos de minha avó, de meus pais, do ti Manel Forte, do ti Brás, outros que não conheci ou a minha memória infantil não reteve e ergueram os primeiros palheiros, as paredes do chães, presas, minas e levadas, rasgaram veredas que mais alargaram em caminhos e veio ainda, em boa hora, a estrada que tanta tinta fez correr e nos faz chegar aqui de carro. Apenas no Inverno a azáfama era mais branda, mas sem deixar de haver trabalho. Mal o tempo fosse propício, já na Primavera, tudo começava às primeiras horas da madrugada. Cada estação tem o seu ritmo e culturas próprias e ninguém como os antigos para o saber e respeitar a natureza. Conforme a época tudo à volta se vestia de cores diferente. Verdejavam as serranias com o centeio e os chães com leiras de nabiças, favas, ervilhas, couves, batatais, milheirais, alface, cebolas, alhos, cenouras, cherovias, be...

DEIXA-ME QUE TE CONTE 😥

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  Deixa-me que te conte que também tu guardes na memória que cada uma destas pedras tem alma, sofre e chora e mora nelas a saudade eterna de todos os que viu, lhe tocaram e aqui se abrigaram.  Foram pedras arrancadas na serrania, umas perto outras mais longe, trazidas e assentadas por mãos hábeis que sabiam entrelaçar cada uma delas na perfeita e necessária forma de formarem parede, abrigo, aconchego, palheiro, curral e "casa". Homens e animais habitavam aqui na harmonia campestre do correr dos dias, feitos de amenas primaveras, quentes verões, outonos a esfriar e invernos agrestes de frio e neve que cobria semanas a fio a serra e os caminhos para a qui chegar. Nesta triste desolação parecia-me ouvir o lamento das pedras por já não serem lugar onde abrigar animais, pousar o cesto, descansar do caminho ainda para fazer, dar dois dedos de conversa e beber uma canequinha de água fresca da cântara de barro que todos os dias se enchia na presa. Do lume que crepitava na cozinha ond...

NÃO HÁ SÓ PEDRAS, MAS VIDAS !

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Nunca me custou tanto fazer este caminho como no dia em que aqui aqui estive no dia 3 de Outubro de 2025 para ver os estragos dos incêndio de 10 de Agosto. De alma amargurada, ainda assim, esperava um milagre.  E, por um breve momento renascia uma certa esperança pois ao olhar este ângulo do palheiro até parece quase direito, embora já tivesse visto lá de longe que não tinha o telhado, mas nada fazia prever o que iria encontrar.  Sufoquei! Não queria ver! Como era possível? Afinal outros incêndios grandes aqui lavraram e pouparam sempre esta minha memória dão doce. Infelizmente, desta vez, tudo se perdeu nas vorazes labaredas de um fogo dantesco como nunca tinha havido.  A barra da cama que foi de meus pais quando se casaram e meu pai tinha trazido para aqui. Logo na altura aborreci-me com ele porque tinha outras barras lá por casa sem este valor estimativo e muito menos bonitas... mas ideia dele foi esta e aqui termina, assim desta forma tão inglória - se entretanto não ...