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SILÊNCIO NA PAISAGEM

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Nestes caminhos tão familiares que sei já ter percorrido tantas vezes por bons motivos, hoje, infelizmente, não é assim.  Abstraio-me com a velocidade da viagem e dos carros que vão circulando e tudo parece tornar-se mais fácil. É apenas ilusão! Há vozes adormecidas que agora parecem acordar e com elas vou a dialogar, em silêncio, sobre cada pedação de chão, cada árvore e cada nova cultura em expansão.  Que diria meu tio Padre se voltasse agora aqui a passar connosco, a guiar o seu carro, e bem conhecedor de todo este território fazer de verdadeiro cicerone como tanto gostava? Hoje, porém, a sua missão é seguramente outra e não menos importante. Acolher o irmão mais novo no Reino dos Céus, levá-lo à presença de Deus e ao abraço dos pais e irmãos que já lá se encontram.  Sinto a voz embargada, uma lágrima a deslizar na face e o silêncio da paisagem esmaga-me! 

MENSAGEM DO CÉU 🙏

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Neste dia, 6 de Janeiro, olhei o pôr-do-sol e pensei: alguém que chegou ao céu enviou-nos esta mensagem de esplendor e luz! O sentimento de perda é imenso e pode dizer-se que há sinais para nos ajudar a atenuar a dor. Acredito que há algo de mistério quando num dia de Janeiro acontece um pôr-do-sol assim! 🙏

MEU TIO, MEU PAI, MEU AMIGO

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PAI da minha infância, Amparo dos meus primeiros passos  A segurar-me nos seus braços  E a elevar-me ao céu Para apanhar uma estrela. Podia lá haver coisa mais bela?  Outra brincadeira se seguia Eu bem presa na sua mão  Rodando como um turbilhão De olhos fechados já tremia Enquanto ele assobiava, sorria, sorria   E perguntava:  Então, já chega, pequena Maria? Separadas as nossas vidas Na longa distância dos continentes Mas sempre unidas nas coisas importantes Amadas e queridas. Quando a vida nos voltou a juntar E os seus braços me apertaram sem parar Foi como voltar à meninice  Ao Barreiro, à sua oficina de sapateiro.  E debaixo da sua alçada, eu ali sentada  A estudar a tabuada que era preciso saber  Ou a escrever vinte vezes cada palavra errada Que no ditado, na redacção ou na cópia Deixou marca de "borrão"! Tanto vivemos Tio Zé! Festejamos, sofremos, choramos E uma torrente de recordações, Sentimentos e emoções me assaltam nesta ...

CAMINHOS NUNCA IGUAIS

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Passo há anos por estes caminhos e, na verdade, dependendo da altura do ano que isso acontece nunca nada é igual! Se isso já acontecia pela mudança das estações com novas cores agora é também a mudança operada por agriculturas intensivas, painéis fotovoltaicos ou grandes estruturas de ferro (postes) que levam e trazem energia, que em muitos lugares estão a descaracterizar de forma drástica a paisagem. Até onde se irá?   Em meados de Dezembro deparei-me com estas estruturas na estrada Penamacor Fundão, presumo que para implementação de mais postes para nova rede de energia. Penamacor, Vila Madeiro, ali tão pertinho da raia esperava, garbosa e sob um céu azul imaculado, os festejos que lhe deram projecção. Nem parecia Inverno! São estas pequenas  "nesgas" de paisagem que vão ficando milagrosamente livres de fiarada e de todas as outras coisas já mencionadas que ainda me enchem o olhar e a vontade de continuar a passar.  A tonalidade de cores nas variadas espécies de ár...

É NATAL OUTRA VEZ

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E a nossa casa voltou a enfeitar-se de coroas artesanais e dando-lhe um ar natalício bem original.  Lancei esta ideia para toda a freguesia, mas, na verdade, tirando a Junta de Freguesia, não são muitas as pessoas que acolheram. No ano passado a Associação de Solidariedade Sobral de S. Miguel ainda fez um brilharete com as suas belas coroas, mas este ano, infelizmente não vi por lá nenhuma.  Considero que é mesmo uma pena não se enraizar esta ideia, como aconteceu com as rosas vermelhas, do David, pois cada coisa no seu tempo próprio é uma mais-valia para a beleza da aldeia.  E, não custa nada! Haja vontade e querer fazer que os materiais não faltam em todo o lado e sem custo, que a floresta é pródiga na oferta de muita coisa bonita e fácil de trabalhar, como as carquejas, giestas, vides, pinhas, cedro...  Depois, há uma série de coisas que desperdiçamos e podemos começar a juntar ao longo do ano: fios, fitas, cordas, mantas velhas, e embalagens revestidas com uma es...

RUAS NATALÍCIAS

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E ficam mesmo bem os pequenos recantos ou escadarias onde o xisto predomina com estes enfeites natalícios que nos fazem parar e admirar.  Nos últimos anos tem havido alguma vontade de, também aqui, tornar a quadra natalícia mais apelativa.  Para isso muito tem contribuído a "Casa do Saber Fazer" que sob a direcção da Junta de Freguesia, que com várias parcerias organizado várias actividades sendo uma delas a dinamização do artesanato.  Os temas alusivos a cada época são aqui trabalhados e este do Natal é particularmente bonito e original. As artesãs de todas as artes que o Sobral ainda tem são chamadas a colaborar e nunca deixam de nos surpreender! E, se dúvidas restassem, bastava olhar para a originalidade destes Presépios, que ficavam logo desfeitas. As paredes assim engalanadas ganham ainda mais beleza e não há quem não se delicie a olhar! As janelas, que não têm tabuinhas, ficam um primor com cedro às voltinhas, estrelas e coroas de rainha! Merecem muito boa nota as i...

MANHÃS DE FINO CRISTAL

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Em Dezembro houve alguns dias de geada dignos de nota e que deram belas imagens como estas.  Finas camadas de gelo nas folhinhas das pequenas plantas rasteiras da vegetação, pareciam fina filigrana que um artesão trabalhou a noite inteira.  As gotinhas de gelo branco no xisto negro, já a quererem deslizar pela pedra fora, brilhavam intensamente e faziam um contraste único que só  nestes locais se pode apreciar. Quando Dezembro traz estes dias de "caramelo", é como que um regresso à infância e à lembrança do gelo que se formava também nas margens da ribeira, e dava uma brincadeira interessante com o som das placas a partir quando passávamos por cima. Até quem não tinha sapatos e enregelava os pés gostava de sentir o “estalar” do vido! É assim que devem ser sempre, em tempo próximo do Natal, as manhãs de fino e gelado cristal, mesmo que tragam à ideia outros Invernos, em que o conforto com calçado e agasalhos não era nenhum, mas, vá lá saber-se por quê... ainda traz alguma...

CELEBRAMOS A VIDA

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A tua vida, amigo, Virgílio! Regressaste a casa, à raiz, à terra. Ali defronte tens a serra a olhar para ti e tu para ela. Não há morada mais bela! E quando a serra florir em manto de rara beleza será em tua homenagem FILHO nobre desta terra. Não morreste, Virgílio! Para mim é a verdade, vives agora de outra forma, a sorrir, para nós, na eternidade. Enquanto eu tiver vida e a subida não cansar hei-de fazer-te uma visita para contigo falar... E não faltará poesia! Sei que atento me vais ouvir e depois aconselhar. Descansa em PAZ, meu amigo!  Hoje, não te quero cansar! 🕯️🙏 Em homenagem a Lobo Mata Marques 💗 Mariita Dez. 2023

HOMENAGEM A LOBO MATA

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Não sou poeta, mas, caro amigo, deixo-lhe a minha singela homenagem. 💗 Partiu o Poeta Irmão, Amigo, um de nós A palavra jaz deserta... Onde encontraremos, agora, A acutilância da sua voz? Procuro a palavra certa Para dizer nesta hora. Não tenho inspiração, Não sou poeta. Sobra-me apenas a emoção. Penso em ti, agora livre E nas asas do açor, Voas sobre a Serra amada Que te aclama com amor. És já uma parte dela Sem lágrimas e sem dor! Abraças e abraça-te encantada A tua Serra do AÇOR! Os dois, unidos, na eterna PAZ! Até um dia, amigo, sorrindo...  Mas hoje, sorrir, não sou capaz.  😪 Mariita Dez 2023

INESPERADA E TRISTE PARTIDA 😢

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Acabo de chegar e sou confrontada com a notícia da morte do Poeta LOBO MATA, de seu nome próprio Virgílio Vicente Simão Marques, nasceu em 27 de Maio de 1948, em Sobral de S. Miguel, e faleceu no hospital de Santa Maria, em Lisboa, no dia 13 de Dezembro de 2023  Confesso que fiquei sem palavras pois não o sabia doente, e imaginei que tivesse sido de repente, mas venho a saber que, efectivamente, a saúde o tinha abandonado.     Na verdade, já tinha sentido a sua falta nestas andanças das redes - onde o conheci - e andava a pensar que já não via há algum tempo os seus comentários simpáticos e a frase emblemática com terminava cada um deles: "sempre sorrindo"... Um pouco da sua história foi contada pelo Professor António dos Santos Pereira, e nela fiquei a saber que o poeta e escritor tinha despertado há muito tempo e 2005 estreou-se com o livro "Prosas e Poes(i)as", que editou em Almada. Em 2012, publicou, na colecção Ecos da História, da Chiado Editora, o romance ...